ARTIGO: Lugar de mulher é onde ela quiser

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“LUGAR DE MULHER É ONDE ELA QUISER”[1]

Volta e meia o debate sobre a participação das mulheres nas instâncias da sociedade vem à tona. Mas, esse debate é recente? É tratando desse assunto que pretendemos defender o nome de uma mulher para representar toda a trajetória de luta das mulheres por ocupação de espaço e busca pela emancipação política, social, econômica, sexual etc., e ceder seu nome ao Centro Acadêmico de Licenciatura em Ciências Humanas da Universidade federal do Maranhão/Campus de Imperatriz.

Seja na sociedade atual, seja nas sociedades dos séculos passados a história quase sempre foi contada apresentando o homem como personagem “principal”, fruto de uma cultura patriarcal, reforçado por um modo de produção que transforma o ser humano (homem e mulher) ora em instrumentos, ora em mercadorias. Na sociedade capitalista cuja ideologia hegemônica é a da burguesa isto é ainda mais evidente, como bem coloca Marx e Engels no Manifesto do Partido Comunista de 1848:

O burguês enxerga em sua mulher um mero instrumento de produção. Ele ouve dizer que os instrumentos de produção devem ser explorados comunitariamente, e é natural que não consiga pensar outra coisa senão que o destino do sistema de comunidade irá atingir igualmente as mulheres. (MARX e ENGELS, 1848)

No “motor” da história, as mulheres tiveram participação ativa, seja como “combustível”, seja com “engrenagem”. Neste sentido, precisamos resgatar alguns nomes de mulheres que protagonizaram importantes lutas, uma tarefa insólita devido à vasta quantidade de nomes e a limitação do número de laudas constante das regras desse concurso literário. Limitaremo-nos então, a apresentar duas personagens que a nosso ver cumprem bem essa tarefa.

Destacamos como primeiro exemplo, Louise Michel (1830–1905), professora, poetisa e anarquista revolucionária francesa que comandou um batalhão armado de mulheres durante a resistência de trabalhadores e trabalhadoras na França durante a Comuna de Paris (1871), contra a aliança entre a burguesia francesa e o governo alemão. D`atri (2011) descreve assim essa participação das mulheres:

Diante de cada revolta da classe trabalhadora, em todos os acontecimentos da luta de classes e em todas as partes do mundo, sempre que os explorados enfrentam a opressão, as mulheres ocupam um lugar de vanguarda, como fizeram na Comuna de Paris. É que, tal como dizia o revolucionário Leon Trotsky, os que mais sofrem com o velho são aqueles que lutam com mais fervor pelo novo. (D’ATRI, 2011, p. 283)

E nas próprias palavras da comunarda:

Cuidado com as mulheres quando se sentem enojadas de tudo o que as rodeia e se levantam contra o velho mundo. Nesse dia nascerá o novo mundo. (LOUISE, 1973 apud D`ATRI, 2013, p. 286)

Apesar de Louise não ser a única mulher na história da humanidade em escolher a luta armada como saída para a revolução social, nossa sociedade ainda coloca a mulher como sexo “frágil” e se recusa em vê-las em postos de comando.

O segundo exemplo de mulher que busca ocupar os espaços, apresentamos a revolucionária socialista alemã Rosa Luxemburgo (1871–1919), filósofa e teórica marxista fundadora do Partido Comunista Alemão e um grupo de revolucionários que buscavam interferir na realidade, chamado Liga Spartacus que teve uma importante atuação política na organização da luta dos trabalhadores na Europa e teceu duras críticas contra a decisão do governo Alemão ao declarar guerra à França (Primeira Guerra Mundial, 1914), escreve Rosa Luxemburgo (1918) no manifesto O Que Quer a Liga Espártaco?

A verdadeira culpada pela guerra mundial, tanto na Alemanha quanto na França, na Rússia quanto na Inglaterra, na Europa quanto na América, é a dominação de classe da burguesia. Os verdadeiros instigadores do genocídio são os capitalistas de todos os países. O capital internacional é o Baal insaciável em cujas sangrentas faces são atiradas milhões e milhões de vítimas humanas palpitantes.” (LUXEMBURGO, 1918, p. 151)

Para Rosa Luxemburgo a guerra era de interesse da burguesia e que os socialistas não podiam aprová-la. Essas declarações foram tidas como traição ao Império Alemão, levando-a ao cárcere e posteriormente foi assassinada por agentes do Estado.

Desta feita, defendemos o seu nome para “batizar” como o nome do “C.A.LCH Rosa Luxemburgo” como forma de homenageá-la. Uma das mais célebres frases atribuídas a ela: “Quem não se movimenta, não sente as correntes que os prendem” tem tudo a ver com a proposta da atual Gestão “Contra Correntes”, que tem o dever não só de se movimentar, mas também reconhecer todas as “correntes” que aprisionam o pleno desenvolvimento educacional e social dentro do curso de LCH e da UFMA enquanto proposta de lugar de diversidade.

Pretendemos, principalmente, homenagear todas as acadêmicas que lutam contra o machismo e a superexploração capitalista nas duplas e tripulas jornadas das quais são submetidas a fim de ocupar os lugares que almeje como afirma Cecília Toledo (2008) “o gênero nos une, a classe nos divide”.

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[1] Frase escrita no muro da UFMA após circulação – no processo eleitoral de 2014 em Imperatriz(MA) – de um panfleto apógrafo que dizia que “lugar de mulher era na cozinha”.

Sou apenas um trabalhador assalariado, casado com a companheira Irisnete Geleno, pai de quatro filhas(Ariany, Thamyres, Lailla e Rayara), morador da periferia (Boca da Mata-Imperatriz), militante partidário (PSTU) que assumiu algumas tarefas eleitorais como candidato (2006, 2008, 2010 e 2012) e que luta por uma sociedade COMUNISTA. Sempre fui e continuarei sendo a mesma pessoa de caráter que meus pais, minha escola, meus amigos ajudam a forjar. Um comunista escravo do modo de produção capitalista que não aceita a conciliação de classe defendida por muitos que se dizem de "esquerda", mas que na verdade são pequeno-burgueses que esperam sua chance no capitalismo.

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