O Brasil Grande de Dilma Rousseff*

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Indios-protesto-belo-monte belo monte O Brasil Grande de Dilma Rousseff* Indios protesto belo monteO Brasil Grande de Dilma Rousseff inaugurou a sua grande obra. Dilma cortou a fita vermelha com olhar confiante e disse estar orgulhosa de sua escolha. O que aconteceu e está acontecendo em Belo Monte é que, feita a escolha orgulhosa de Dilma, o que as delações de Delcídio revelaram serem nada republicanas, o caminho para se implementar essa obra não poderia ter sido apenas uma escolha orgulhosa, como se o governo pudesse optar entre respeitar ou não as regras do licenciamento. Pois Dilma, sobrevivente da ditadura militar, ordenou que o Estado usasse instrumentos jurídicos criados na ditadura militar para que a sua escolha orgulhosa seguisse estivesse acima da lei que (ainda) rege as obras de infraestrutura no país. Assim, Belo Monte entrou em operação carregando 25 ações judiciais que um dia serão julgadas e uma dezena de multas que um dia talvez sejam pagas.

Em seis anos a turbina girou e o hospital novo de Altamira? Ainda não inaugurou. Nos dois hospitais públicos da cidade morreram – somente no último fim de semana – quatro bebês indígenas: Kinai Parakanã(1 ano), Ire I Xikrin(7 meses), Kropiti Xikrin(11 meses), kokokrepti Xikrin(1 ano).

Tosse, coriza, febre, diarréia: estamos em 2016 e os índios de Belo Monte continuam a morrer de gripe.

O mais perigoso é sempre aquilo que não detectamos como perigoso, aquilo que se naturaliza como inevitável – e como disse uma amiga, na Amazônia a violência de Estado tornou-se natureza.

Lamento que no caminho para o canteiro de obras Dilma não tenha pisado nas ruas de Altamira. É preciso pisar no esgoto verde que corre em todas as calçadas quebradas para lembrar dos 485 milhões jogados no ralo, investidos num saneamento da porta pra fora, inoperante.

Dilma, que só conseguiu planejar um Brasil Grande, vai se despedir da presidência sem ter conhecido uma Grande parte do Brasil. Não conseguiu aterrissar na Amazônia. Vai pegar sua viola e partir sem ter reconhecido a grandiosidade de se viver num país com 235 povos, a grandiosidade de se viver num território com 180 línguas faladas e falantes. Grandioso é também o legado que Dilma deixa a justiça brasileira. Seu governo desenvolveu uma forma sofisticada de matar. O Ministério Público lançou a justiça a primeira ação de etnocídio no país. Pede que o Estado e a Norte Energia sejam responsabilizados pela morte cultural dos índios. E se pra você a morte cultural for uma viagem louca de uma procuradora da república eco-chata, pode recordar apenas dos exemplos das mortes desta semana, das quatro crianças indígenas mortas. Na semana em que Dilma inaugurou Belo Monte o distrito de saúde indígena enviou um pedido de socorro ao Ministério da Saúde. O documento explica que a Norte Energia, em comemoração ao dia 19 de abril, trouxe indígenas de várias etnias para comemorar o dia do índio fora da aldeia, na cidade. Médicos dos hospitais afirmam que muitos voltaram para as aldeias gripados, doentes e fracos: Kinai Parakanã(1 ano), Ire I Xikrin(7 meses), Kropiti Xikrin(11 meses), kokokrepti Xikrin(1 ano) não resistiram. O documento descreve ainda que um dos bebes morreu aguardando a espera de uma vaga na UTI do hospital. Diz ainda que surtos gripais estão ocorrendo em praticamente todas as aldeias. Em um só fim de semana 4 crianças morreram. Sem discurso, sem minuto de silêncio, sem aplauso, morreram no silêncio grandioso que só uma obra do Brasil Grande é capaz de produzir.

*Letícia Leite, jornalista, assessora de imprensa do Instituto Socioambiental (ISA)

Sou apenas um trabalhador assalariado, casado com a companheira Irisnete Geleno, pai de quatro filhas(Ariany, Thamyres, Lailla e Rayara), morador da periferia (Boca da Mata-Imperatriz), militante partidário (PSTU) que assumiu algumas tarefas eleitorais como candidato (2006, 2008, 2010 e 2012) e que luta por uma sociedade COMUNISTA. Sempre fui e continuarei sendo a mesma pessoa de caráter que meus pais, minha escola, meus amigos ajudam a forjar. Um comunista escravo do modo de produção capitalista que não aceita a conciliação de classe defendida por muitos que se dizem de "esquerda", mas que na verdade são pequeno-burgueses que esperam sua chance no capitalismo.

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