Conjuntura brasileira: um pouco de resgate da história recente

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Capa do Jornal Opinião Socialista nº 459

Fazendo um breve resgate histórico da conjuntura brasileira sobre o que levou ao poder o Partido dos Trabalhadores em 2002 podemos afirmar que era “quase um consenso” entre os partidos revolucionários que a elite industrial brasileira já tinha perdido a confiança em Fernando Henrique Cardoso-FHC/PSDB como gerente dos interesses do capital. Essa perda da confiança era sustentada por um daqueles momentos de crise do capitalismo, onde os rendimentos dos banqueiros e especuladores internacionais já não se mantinham a patamares aceitáveis, somando-se a isso, a ebulição social com ocupações de terras lideradas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST e apoiada pela Igreja Católica e sua pastoral da terra. Não podemos esquecer também do que foi o programa de privatizações como a da VALE DO RIO DOCE – hoje VALE -, entregue ao capital a preço mais baixo que banana em fim de feira.

Vale lembrar também que a direção do PT já havia decidido a mudança em suas posições em relação ao mercado financeiro e aos industriais, em “Carta ao povo Brasileiro” lida pelo então candidato à Presidência da República em 22/06/2002 ele já deixava claro que estava disposto a ser o novo gerente do capital, sempre em defesa da elite:

“Prefeitos e parlamentares de partidos não coligados com o PT anunciam seu apoio. Parcelas significativas do empresariado vêm somar-se ao nosso projeto. Trata-se de uma vasta coalizão, em muitos aspectos suprapartidários, que busca abrir novos horizontes para o país.” (22/06/2002, grifo nosso)

Esse não é o único trecho que explicita a disposição de Lula/PT de assumir o papel que estava sendo de FHC/PSDB. Vale à pena lerem a carta completa (para ler clique aqui), assim fica mais clara nossa próxima argumentação.

Até aqui tentamos relembrar qual a conjuntura que levou a chegada do PT ao poder, e agora precisamos caracterizar os principais agentes que possibilitaram o resultado eleitoral de 2002.

Ninguém pode negar que as bases principais que construíram o PT eram os trabalhadores rurais, operários das indústrias paulista – principal centro industrial da época no Brasil -, sindicatos ligados à Central única dos Trabalhadores – CUT, movimentos sociais como o MST e as pastorais da Igreja Católica, esse último vejo como o principal canal para que o PT pudesse construir sua base social que o tornava o único partido que podia polarizar com os partidos dos ricos.

Mesmo com uma base social já consolidada Lula/PT amargava três derrotas eleitorais (1989, 1994 e 1998) frente aos candidatos dos partidos dos ricos (Collor e FHC/PSDB) o que teria mudado? Exatamente isso, era preciso que o Lula/PT mudasse e que dissesse claramente para os que ganham dinheiro com os governos que ele o apoiava – a elite industrial brasileira (burguesia) -, deixando de lado seu perfil de “eterna oposição” e deixando para um segundo momento a defesa dos interesses de sua base social, é aqui que entra o principal ator: o poder econômico dos grandes industriais e empresários do agronegócio que investiram maciçamente em sua campanha eleitoral e nos candidatos do partido em todos os estados.

Nesse momento o que fica claro é que a elite brasileira escolheu um novo gerente do capital, Lula e o PT. Até mesmo os esquemas descobertos hoje com a lava jato é o continuísmo do governo anterior.

A conjuntura econômica que levou enfraquecimento das bases de apoio de FHC/PSDB, o capital financeiro, industriais e do agronegócio é muito parecida com a atual. A questão que está posta é saber se essa elite está convencida de que o PT já não é mais um bom gerente para que continuem a espoliação dos trabalhadores e da riqueza do Brasil, e, não sendo mais qual será o partido que representaria essa burguesia insatisfeita? Para mim, o que está posto com essas manifestações é justamente a definição do que é melhor para os capitalistas nacionais e não o que o PT tenta inculcar na cabeça da maioria que as manifestações são contra a esquerda – os comunistas-, seria, se considerássemos que o PT faz um governo de esquerda, nem o PSDB acredita nisso, daí parte sua insatisfação com a permanência do PT no poder. O PT põe em prática melhor que o PSDB a cartilha neoliberal atacando diretamente os direitos conquistados pelos trabalhadores.

O caráter das manifestações que ocorreram em agosto tem sim um caráter reacionário e anticomunista e com participação majoritária da direita (enquanto ideologia), mas não no caráter de partido constituído institucionalmente, da mesma forma como já dissemos, as mobilizações em junho de 2013 também tiveram participação da elite de direita quando gritavam “sem partido”, mas com demanda – redução das tarifas do transporte publico – que não fazia parte de seus interesses.

Continuarei minha opinião sobre o caráter da manifestação de direita realizada em 20 de agosto e sua insatisfação com o governo do PT em outro post. Nesse espero que fique claro que antes de o PT ter alcançado o poder, ele recebeu um apoio fundamental para essa conquista, a anuência da elite como homem de sua confiança.

Sou apenas um trabalhador assalariado, casado com a companheira Irisnete Geleno, pai de quatro filhas(Ariany, Thamyres, Lailla e Rayara), morador da periferia (Boca da Mata-Imperatriz), militante partidário (PSTU) que assumiu algumas tarefas eleitorais como candidato (2006, 2008, 2010 e 2012) e que luta por uma sociedade COMUNISTA. Sempre fui e continuarei sendo a mesma pessoa de caráter que meus pais, minha escola, meus amigos ajudam a forjar. Um comunista escravo do modo de produção capitalista que não aceita a conciliação de classe defendida por muitos que se dizem de "esquerda", mas que na verdade são pequeno-burgueses que esperam sua chance no capitalismo.

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