Entrevista ao jornal o Progresso, Edição 14520

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jornal_o_progresso jornal Entrevista ao jornal o Progresso, Edição 14520 Jornal o progressoDurante a campanha eleitoral de 2012 para a disputa do cargo de prefeito da cidade de Imperatriz Wilson Leite concede entrevista ao Jornal  O PROGRESSO, que foi publicada na  EDIÇÃO 14520-03/10/2012

1 – O PROGRESSO: A cidade cresceu desordenadamente, com o surgimento de bairros por invasões e loteamentos clandestinos e sem infraestrutura. O que será feito para acompanhar esse crescimento evitando os inúmeros problemas que acabam inviabilizando uma administração?

WILSON LEITE: Temos consciência de que a falta de ordenamento urbano da cidade é um problema que precisa ser enfrentado, com serenidade e planejamento. A tarefa de organizar os bairros que surgiram devido o abandono até aqui por todos os governos é uma tarefa que necessita de estudo profundo para buscar soluções da questão das moradias e de infraestrutura. Mas priorizaremos a defesa do direito adquirido dos moradores, com a expansão do dito “desenvolvimento econômico” há uma grande possibilidade de acirrar os conflitos urbanos pelas áreas que não tem registros, hoje ocupadas por famílias de trabalhadores, não seria de estranhar termos caso como o ocorrido no PINHEIRINHO em São José dos Campos-SP, se depender da gestão municipal do PSTU isso não acontecerá, pois combateremos a especulação imobiliária.

2 – O PROGRESSO: A urbanização é outra questão que vem se arrastando sem a devida atenção do poder público. A área comercial, por exemplo, foi ocupada pelos camelôs e até agora nenhum gestor ousou enfrentar o problema. Se já não bastassem os camelôs, o pedestre também é empurrado para o meio da rua devido à falta de padronização das calçadas. Há interesse em resolver esse problema? Quais as dificuldades?

WILSON LEITE: Primeiro temos que entender que a situação relatada é fruto do próprio capitalismo que mantêm muitos fora de uma vaga de trabalho, e todos precisam buscar sua sobrevivência. Vamos voltar nossa memória aos anos oitenta onde o comercio informal quase não existia. Os comerciantes do centro comercial nunca seguiram a lei orgânica e o código de postura, e por sua vez os gestores deram uma de “Pôncio Pilatos” no seu papel de fiscalizador. O custo hoje para resolver o problema da padronização das calçadas é altíssimo, para que seja resolvido precisamos dar um “incentivo” para os comerciantes para que seja efetivada, uma saída seria a substituição de tributos dos que adotarem o plano de padronização que deve ser discutido por todos os interessados. Com relação aos trabalhadores do comercio informal, também temos que ter responsabilidade e buscar uma saída para que esses continuem sobrevivendo de seu trabalho, para isso devemos adaptar um plano econômico dos trabalhadores para gerar empregos  enquanto isso nos comprometemos em não colocar a polícia contra os camelôs, precisamos dar condição de continuarem vendendo seus produtos sem ter que sair do perímetro comercial, para isso temos como propostas a definição de ruas transversais próximas ao calçadão transformando-as em ruas do comercio popular/informal.

3 – O PROGRESSO:  Imperatriz, já com os seus 160 anos, ainda enfrenta o grave problema de saneamento até na sua parte central; riachos poluídos, exalando forte mau cheiro na cidade recebem esgoto sanitário jogado pela população e levado para o rio Tocantins, sem tratamento, trazendo sérios problemas para a saúde e meio ambiente. Qual o seu plano para erradicar o problema?

WILSON LEITE: A pesar de não sermos técnico na área de saneamento sabemos que a pequena rede de esgotos existente no centro além de estar saturada nunca houve um trabalho de manutenção (limpeza) dos dutos, causando alagamentos nos períodos de chuvas e o mau cheiro relatado. A nosso ver será preciso buscar alternativas, juntamente com os trabalhadores de água e esgoto – organizados em Conselhos Populares -, poderia nos ajudar no planejamento e organização do saneamento da cidade. A substituição dos dutos é quase que impossível devido a limitação de recursos e a falta de compromisso dos governantes da esfera estadual e federal. Mas com o aumento significativo da arrecadação municipal precisamos buscar saída, propomos a construção de “piscinões” como os que existem em São Paulo que deve ser construído em áreas que ainda não há a ocupação para propiciar o desvio das águas da chuva para esses “pescinões” e um plano permanente de manutenção para dar vazão ao esgoto. Seria uma falácia dizer que temos condições financeiras de assumir e de resolver a questão do esgoto sanitário que é jogado innatura no Rio Tocantins, mas tenham a pura certeza que buscaremos a assessoria das pessoas e entidades certas para que juntos poderemos dar uma atenção maior nessa questão. A lagoa de estabilização construída pelo governo do estado está subutilizada, vãos procurar assumir parte da responsabilidade para que elas cumpram 100% a função pela qual elas foram construídas.

4 – O PROGRESSO:  O trânsito de Imperatriz está caótico. Há uma saída?

WILSON LEITE: Essa área é uma das quais temos dato prioridade nos debates. O problema do trânsito caótico e perigoso de Imperatriz só pode ser resolvido com a redução de veículos nas ruas, isso não pode ser definido por decreto. Precisamos dar alternativa de transporte de massa, barato, com pontualidade e conforto. Defendemos a estatização (municipalização) do serviço de transporte público, garantindo passe-livre a estudantes, desempregados e aposentados, para os demais trabalhadores da iniciativa privada, redução da tarifa, que já é parte subsidiada pela empresa. Tendo uma vantagem econômica e de qualidade os trabalhadores poderão optar em deixar seus veículos em casa para serem usados para passeio aos fins de semana. Assim, de quebra além de diminuir o número de veículos nas ruas, diminuiremos os índices de acidentes e de atendimentos de pronto socorro na rede pública de saúde e teremos condições de melhor fruição do trânsito. É possível efetivar essa proposta e temos como “carro chefe” de um governo para os trabalhadores.

5 – O PROGRESSO:  Na Educação, apesar dos investimentos, o ensino público ainda deixa a desejar. O que fazer para melhorar os índices? O professor se queixa da falta de valorização e capacitação. Só o aumento de salário é o suficiente para que ele tenha estímulo para trabalhar?

WILSON LEITE: A educação, a exemplo de outras funções públicas vêm sendo privatizada pelos governos neoliberais de FHC/PSDB e Lula e Dilma Rousself/PT. Com essa privatização os recursos da educação se reduzem – mais de 70% das escolas municipais são prédios privados alugados para a rede de educação municipal – sem falar do método pedagógico. Os repasses do FUNDEB geralmente aumentam ao longo dos anos pois é calculado o valor por aluno, e as remunerações dos professores que fazem parte dos 60% (professores em efetivo exercício, em sala de aula) devem ser garantidos o Piso Nacional para a categoria e se possível o recebimento da variação(sobras), imediatamente o recebimento pela gestão municipal, garantindo efetivamente 60% dos recursos do FUNDEB com pagamento dos professores. Além disso, temos como prioridade encerrar o contrato temporário dos profissionais de educação, abrindo concursos públicos para o suprimento de todas as vagas de contratados com um PCCS debatido e atualizado anualmente com o sindicato da categoria. Não teremos condições de implantar o socialismo, pois a economia global é capitalista, mas nossa tarefa como gestão socialista é promover medidas típicas do socialismo a fim de mostrarmos aos trabalhadores que com a participação efetiva na gestão teremos uma mudança real na vida dos trabalhadores. O PSTU e entidades com ANDES e CONLUTAS defendem a proposta de 10% do PIB para a Educação Pública já.

6 –  O PROGRESSO: A saúde sempre foi outro empecilho no caminho dos gestores públicos. Imperatriz não atende apenas os seus moradores (230 mil, segundo o IBGE), mas de toda a região sul do Maranhão, além do Tocantins e Pará. Embora tenha melhorado muito, nos últimos anos, qual a saída para tornar eficiente o funcionamento da saúde pública municipal de Imperatriz? 

WILSON LEITE: A saúde, assim como a educação, tem uma influência direta na qualidade de vida dos trabalhadores, não vemos a saúde “empecilho no caminho dos gestores públicos”. Hoje, Imperatriz ao ser governado por uma gestão que defende os interesses privados buscando formas de repasses de recursos públicos à iniciativa privada do ramo da saúde torna os recursos escassos. Temos a tarefa de romper com essa lógica, através de um planejamento e participação efetiva dos trabalhadores da saúde, defendemos saúde pública universal, contra a mercantilização do atendimento médico hospitalar. Precisamos racionalizar os investimentos na área para que possamos resolver outros problemas como os pacientes que precisam de tratamentos oncológicos, renais, dependentes de drogas, discussão de protocolos especiais para pessoa portadora de deficiência e patologia, sem esquecer de potencializar o atendimento preventivo na atenção básica e odontológico, transformando os postos de saúde um local de monitoramento permanente da saúde pública. Informação é fundamental para disseminar saúde para a população.

7 – O PROGRESSO:  Os pilares econômicos de Imperatriz são o comércio e a prestação de serviços. Mas começam a chegar grandes indústrias, como a Suzano, e parece que o atual Distrito Industrial não é capacitado para receber tais indústrias, ou mesmo de porte menor. Qual será a participação da administração municipal para resolver esse problema e como você analisa o desenvolvimento da cidade?

WILSON LEITE: Somos Marxistas, e para Marx essa é uma discussão essencial para a mudança das condições sociais da humanidade, claro, numa perspectiva socialista. Essa base econômica: comercio, prestação de serviços e mais recentemente construção civil na prática não agrega valor ao PIB municipal, nem mesmo ao nível salarial da classe trabalhadora. O processo de Industrialização é o que tem mais condições de efetivamente garantir a elevação do PIB e um aquecimento econômico mais permanente, sabendo-se que isso no capitalismo é cíclico. Pra nós esse papo que não somos qualificados, não temos capacidade para receber tais indústrias é “papo furado”, pelo contrário temos plena consciência de que, devido a necessidade de movimentação do  capital Imperatriz e o Nordeste são os destinos que vislumbram os investidores por vários fatores principalmente o ambiental de infraestrutura logística e de população. Portanto esse discurso é pra justificar mais ainda vantagens fiscais e ambientais para os grandes negócios a exemplo das medidas de desoneração da folha de pagamento e do IPI, arrocho salarial dos servidores federais, demissões e as péssimas condições de trabalho patrocinado pelo governo neoliberal de Dilma Rousself/PT, isso não faremos. Temos que garantir o uso responsável do meio ambiente e da exploração de nossa mão de obra, revertendo, neste momento, de forma “compensatória” aos trabalhadores e nossa natureza da exploração desses processos industriais. O exemplo da irresponsabilidade dos gestores que fazem renuncia de receitas, mantendo assim nosso município na dependência de repasses federais (FPM, FUNDEB, SUS, etc) enquanto que a nossa arrecadação própria em impostos e taxas representou apenas 14,98% da receita realizada em 2011, ou seja, apesar do ciclo de progresso pelo qual Imperatriz vem passando nos investimentos, principalmente da construção civil é lamentável que as condições de saúde, educação e Infraestrutura principalmente das periferias de nossa cidade não reflitam esse progresso. Em resumo, isso terá que mudar, as empresas terão que contribuir com o papel social dos impostos para que possamos investir na mudança da realidade dos trabalhadores, só precisamos ter uma gestão comprometida com o desenvolvimento da economia e dos munícipes, através de uma legislação clara: Plano Diretor, Código de Postura e Tributário; e, controle rigoroso e transparente no gerenciamento dos recursos naturais.

8 –  O PROGRESSO: Em ordem de importância, quais as prioridades da sua administração? Justifique-as.

WILSON LEITE: Como gestor de políticas públicas para os trabalhadores é complicado dizer que uma área tem mais importância que outra, mais ouvindo o clamor de quem mora na periferia e sente na pele o abandono nas áreas de Saúde, Educação e infraestrutura essas seriam as prioridades e como um estudioso da economia diria que essa questão pode revolucionar as três primeiras, sem esquecer do nosso papel de conscientização de classe buscando um governo democrático com a participação dos trabalhadores organizados em conselhos populares para discutir problemas, buscar soluções e ratificar as medidas de um governo encabeçado por um operário. Em suma a ordem de Importância e a principal prioridade é voltar às ações da gestão para os trabalhadores e para a periferia. Imperatriz para os Trabalhadores!

9 –  O PROGRESSO: Por que você é candidato a Prefeito de Imperatriz?

WILSON LEITE: Quando um partido revolucionário resolve se legalizar na legislação burguesa tem o entendimento que isso serve única e exclusiva tarefa de disputar as consciências dos trabalhadores no campo dominado pela burguesia. Sendo assim, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado-PSTU reconhecendo nossa disponibilidade militante nos convoca a realizar essa tarefa. Para a burguesia, que tenta a todo custo manter seu domínio econômico, político e ideológico nossa participação trás um risco muito grande, pois, coloca uma alternativa fora dos círculos do poder burguesia e abre espaço para a propaganda e agitação na defesa de um projeto de sociedade sem classe (sem explorador e explorado), uma sociedade socialista. Portanto, Wilson Leite, Jakson Marinho e Pastor Odair estão colocando seus nomes na tarefa de apresentar um programa de governo que atenda as necessidades imediatas: na educação, saúde, infraestrutura, transporte público, geração de empregos, etc, aos trabalhadores e trabalhadoras das periferias, apontando uma alternativa socialista para a superação da exploração dos trabalhadores e degradação do meio ambiente. A campanha eleitoral se divide em duas: a que defende os trabalhadores e as que defendem os ricos. Esperamos que os trabalhadores nos reconheça como o autentico defensor de seus interesses concretizando isso através do voto no PSTU 16.

10 –  O PROGRESSO: Quais os políticos mais importantes que estão lhe emprestando apoio e quais os vínculos dos mesmos com Imperatriz ou a Região Tocantina?

WILSON LEITE: Todos os militantes do PSTU são políticos na essência da palavra, todos nós, militantes de todas as regiões, estados e cidades temos sua importância para o partido. Para um partido marxista e revolucionário seus militantes não têm cidade, estado ou país, somos todos unidos por um ideal de sociedade, pra nós isso é o que importa. Como figura pública nacional do partido o camarada Zé Maria, Presidente Nacional do PSTU e coordenador da CSP Conlutas (Central Sindical e Popular, criada para confrontar o atrelamento da CUT, UGT, CTB aos governos do PT, em defesa do movimento sindical independente e combativo), gravou um depoimento, o qual foi exibido no programa eleitoral. No maranhão temos os camarada Marcos Silva, Claudia Durans, Saulo Arcangelli, Claudicea Durans – Movimento Raça e Classe, Hertz Dias – Quilombo Urbano etc, mais o que importa pra nós militantes de Imperatriz é o reconhecimento do coletivo partidário na nossa capacidade de representar o projeto de poder da classe trabalhadora e do PSTU em Imperatriz.


FONTE: JORNAL O PROGRESSO

Sou apenas um trabalhador assalariado, casado com a companheira Irisnete Geleno, pai de quatro filhas(Ariany, Thamyres, Lailla e Rayara), morador da periferia (Boca da Mata-Imperatriz), militante partidário (PSTU) que assumiu algumas tarefas eleitorais como candidato (2006, 2008, 2010 e 2012) e que luta por uma sociedade COMUNISTA. Sempre fui e continuarei sendo a mesma pessoa de caráter que meus pais, minha escola, meus amigos ajudam a forjar. Um comunista escravo do modo de produção capitalista que não aceita a conciliação de classe defendida por muitos que se dizem de "esquerda", mas que na verdade são pequeno-burgueses que esperam sua chance no capitalismo.

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