Nosso Zé não é de escrivaninha!

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ze_maria_pstu zé maria Nosso Zé não é de escrivaninha! ze maria pstu

Já faz um tempo que alguns intelectuais vinculados ao “marxismo de escrivaninha” resolveram abandonar suas análises refinadas e incompreensíveis, pelo menos do ponto de vista da classe trabalhadora, para atacar em tom raivoso as posições políticas do PSTU , em especial o camarada Zé Maria.

Discutir política em tom exaltado faz parte da tradição da esquerda, nós também fazemos isso, agora insinuar que nosso dirigente é “burro” merece uma resposta igualmente dura! Aliás, se nosso Zé fosse burro cada um desses intelectuais teria que baixar a orelha para escutá-lo falar. Mas, felizmente, Zé Maria não faz parte dessa “espécie”.

Zé Maria é patrimônio político da classe trabalhadora deste país e qualquer organização séria da esquerda sabe disso, inclusive os que ora se encontram em campos opostos ao nosso.

Nosso Zé foi preso pela ditadura militar juntamente com Lula, Zé Dirceu e tantos outros militantes que depois fundaram o PT. Mas, não foi preso por desviar dinheiro público, não foi preso por ter enriquecido ilicitamente ou utilizado sua história de militância para gozar de privilégios estatais. Os outros seguiram esses caminhos, Zé Maria não!

ATACAR ZÉ MARIA PARA DEFENDER OS ATAQUES DO PT CONTRA OS TRABALHADORES

O que tem de comum entre essa gente é a pitoresca ideia de que a consciência dos trabalhadores é atrasada, o que logo impossibilitaria a construção de um terceiro campo classista, tal como nós defendemos. Em relação ao impeachment de Dilma, os menos exagerados defendem que é golpe das elites não só contra o PT e o governo Dilma, mas contra a democracia e os trabalhadores. Os mais exaltados defendem que está em curso um golpe para implantar uma ditadura militar no Brasil. Assim, todos defendem que a esquerda deveria está unida contra este atentado à democracia. A burguesia sorrir contidamente dos primeiros e rola no chão dando gargalhadas dos últimos. Como PSTU não caiu nesse conto de carochinha, xingam-nos: vocês são cúmplices do espólio e do golpe!

Ora, nosso objetivo é unir a classe trabalhadora em torno de um programa comum e não “unir a esquerda” com qualquer trapo que apareça para defender um governo que assassina quilombola em nome do agronegócio e ataca os direitos dos trabalhadores e das mulheres todo santo dia. Junto como os nossos inimigos de classe não! Isso não é sabedoria, é traição dos que se dizem sábios!

O próprio PT já pretende articular um governo de Unidade Nacional com todos os partidos que forem possíveis, caso Dilma escape do Impeachment. Não pretendem salvar o mandato de Dilma, mas preservar o PT até 2018. O PT sabe que a burguesia quer que Dilma caia fora por que seu governo perdeu força para aplicar o “ajuste fiscal” contra os trabalhadores. E Dilma quer mostrar para a burguesia que não é bem assim, por isso tem aprovado pacote após pacote em plena crise política para mostrar que o PT ainda é o melhor capataz que a burguesia o imperialismo podem ter em um cenário de crise para atacar e controlar os trabalhadores.

Por outro lado, se Temer assumir não conseguirá governar e o PSDB parece não querer se arriscar em meio uma grave crise com manifestações e greves pipocando como não víamos desde os anos de 1980. É em torno desse impasse que gira a polêmica do impeachment e não se teremos mais ou menos democracia!

É olhando para esse contexto que nossa política do “Fora Todos” está sendo testada na pratica, no mundo real, no chão das fabricas, nos canteiros de obras, nos quilombolas, nas escolas, nas universidades, etc. por que são os homens e mulheres desses espaços que vão dizer se estamos certos ou equivocados. Já os “sábios” temem em defender publicamente o programa que defendem nas entrelinhas, o da conciliação nacional, por que temem a inevitável desmoralização.

Zé Maria tem razão; se é para governar para burguesia, então é um programa burguês, tal como é atualmente o governo da presidenta Dilma.

O MUNDO REAL NÃO GIRA EM TORNO DA ACADEMIA

O mundo acadêmico é um espaço riquíssimo para aprimorar nossa crítica política em favor da nossa classe, mas é sobretudo uma instituição burguesa que exerce muita, mais muita pressão sobre qualquer indivíduo. O intelectual arrogante é fruto dessa contradição.Por isso em momentos de crises e rupturas fica perdido e para garantir sua acomodação social busca algum tipo de salvação que os mantenha transitando entre esses dois mundos. É o típico intelectual oportunista. Faz o jogo dos de cima fingindo tá jogando com os de baixo. Porém, quanto mais distante se mantém da classe trabalhadora (já que defendem um governo que ataca os trabalhadores), mais confuso se torna e quanto mais confuso mais burguês é sua forma de pensar e, consequentemente, suas posições políticas. Do alto de sua arrogância acha que todos deve segui-lo.

Dizem: vocês vão se isolar com essa política ridícula! Ora, vocês não sabem que somos marxistas, que temos um programa e que dele jamais abriremos mãos para fugir desse suposto “isolamento”? Entre o isolamento e a desmoralização, deixe-nos ficar no gueto. Aliás, essa é uma característica fundamental que nos distingue do intelectual de escrivaninha conforme lembrava Trotsky:

Não temer hoje uma ruptura total com a opinião pública oficial, para conquistar amanhã o direito de dar expressão aos pensamentos e sentimentos das massas insurgentes, constitui uma forma especial de existência, que se distingue da existência empírica do pequeno-burguês convencional (A Moral Deles e a Nossa).

Quando estourou a primeira guerra mundial em 1914 os bolcheviques foram os únicos contrários a ida dos trabalhadores para os campos de batalhas e por isso ficaram isolados, mas quando estourou a Revolução de Outubro de 1917, foram os únicos com a autoridade para dirigi-la.

Contudo, parece que o ânimo de nossa classe se aproxima cada vez mais do “Fora Todos”. O Data Popular acaba de publicar uma pesquisa que mostra que os membros das chamadas classe “C” e “D”- os mais pobres para sermos bem compreendidos- não querem nem Dilma e nem Temer e “veem o impeachment como briga de elite”. Já o PSDB foi expulso dos seus próprios atos no dia 13/03. O jornal britânico “Financial Times” explicou que “Resulta que mais e mais brasileiros estão desistindo [ do impeachment] por confusão ou desgosto e estão se juntando ao ‘Fora Todos’”.

Em relação as palavras de ordem que defendemos como Greve Geral, Eleições Gerais (Fora Todos!) e formação dos Conselhos Populares, a capacidade de raciocínio desses intelectuais não conseguem enxergar nada além dos critérios e limites impostos pela democracia burguesa. Quase sempre esbravejam: Quantos vocês irão eleger? A esquerda está enfraquecida e não vai vencer a direita!

Das nossas palavras de ordem só conseguem interpretar e, equivocadamente, a que trata de eleições. Greve Geral e Conselhos Populares não fazem parte dos seus vocabulários políticos. Da mesma forma que superestimam a capacidade de suas próprias análises, subestimam a força da classe trabalhadora e do povo negro deste país. Para o homem simples como nosso Zé, basta olhar para as ocupações das escolas nas periferias, as retomadas dos territórios quilombolas e indígenas nos campos, várias greves com ocupação de fábricas e prédios que estão acontecendo país a fora e o ódio que os mais pobres estão nutrindo dos partidos da ordem burguesa para entender o significado de nossas palavras de ordem e o espaço que existe para construção de um terceiro campo, tal como estamos tentando fazer com o Espaço de Unidade e Ação.

Hertz Dias, Historiador, Professor e militante negro do PSTU do Maranhão

Sou apenas um trabalhador assalariado, casado com a companheira Irisnete Geleno, pai de quatro filhas(Ariany, Thamyres, Lailla e Rayara), morador da periferia (Boca da Mata-Imperatriz), militante partidário (PSTU) que assumiu algumas tarefas eleitorais como candidato (2006, 2008, 2010 e 2012) e que luta por uma sociedade COMUNISTA. Sempre fui e continuarei sendo a mesma pessoa de caráter que meus pais, minha escola, meus amigos ajudam a forjar. Um comunista escravo do modo de produção capitalista que não aceita a conciliação de classe defendida por muitos que se dizem de "esquerda", mas que na verdade são pequeno-burgueses que esperam sua chance no capitalismo.

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