Polêmica sobre performance macaquinhos

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Minha “exploração” (contribuição ao debate) sobre a performance de Macaquinhos. 

Tenho lido muitos comentários sobre a performance macaquinhos apresentada na 17ª Mostra SESC Cariri de Cultura no SESC/CE. A performance pretende fazer uma discussão sobre a exploração anal entre humanos, e o próprio nome diz quem melhor poderia representar esse interesse anal no qual os humanos poderiam imitar, os macacas. Assista ao vídeo abaixo:

Há críticas de filósofos, sociólogos, religiosos, médicos, artistas, coxinhas etc. Cada um desses traz a discussão para sua visão de mundo. Muitos querem saber a opinião dos outros sobre a performance que seria quase uma declaração de homossexualidade ou de um maníaco sexual. Essa postura é facilmente entendível pelas características da ideológica burguesa-conservadora, machista, racista, homofóbica etc. da grande maioria dos brasileiros.

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Crédito: Gustavo Saulle/Divulgação

Deixando um pouco de lado a questão preconceituosa, é preciso esclarecer algumas coisas. A provocação feita pela performance deu aos conservadores – por ser tabu falar de cu – a oportunidade de falar de financiamento da cultura pelo governo federal e o quanto artistas “bons” deixam de fazer arte por falta de dinheiro, e, que a performance macaquinhos seria financiada com dinheiro público.

Não vou discutir o que é arte boa ou arte ruim, prefiro discutir sobre ideologia e financiamento (dinheiro), pois muito desses fatores é o que gera as principais críticas sobre a performance.

Para entender isso é preciso conhecer o que é o SESC – Serviço Social do Comércio uma entidade de direito privado mantido pelos empresários do comércio (patrões) que foi criado através do decreto-lei 9853/64 assinado pelo presidente Militar Eurico Gaspar Dutra (1946 a 1951). O SESC se instala nas cidades grandes e de médio porte – as que têm alguma atividade patronal forte – a fim de fomentar cultura aos associados e através de editais selecionar produções artísticas para financiamento fruto da contribuição dessas empresas que é feita via e administrado por um conselho curador. À primeira vista parece que tudo é uma questão de benesse do empresariado em fomentar cultura no Brasil, engano, todo dinheiro colocado no SESC pelo empresariado é deduzido 100% do dinheiro – através do fomento à cultura – de impostos que deveriam ser pagos ao governo. Essa renuncia fiscal está regulamentada pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei nº 8.313/91), a Lei Rouanet, promulgada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso/PSDB.

Dito isso, a critica de que o dinheiro público financia os espetáculos é verdadeira, apesar da tentativa de passar a ideia de que é o privado – através do SESC – que verdadeiramente financia a cultura, a velha posição ideológica neoliberal que o privado é sempre melhor para fazer qualquer coisa, seja na produção de bens, na educação, na cultura, etc.

Enquanto os brasileiros não procurarem discutir políticas de classe para uma mudança social, teremos que ficar ao nível das consciências coletivas e ir discutindo o que eles propõem a discutir, então se o momento de debate é o cu da performance macaquinhos, vamos ao cu da questão.

Sou apenas um trabalhador assalariado, casado com a companheira Irisnete Geleno, pai de quatro filhas(Ariany, Thamyres, Lailla e Rayara), morador da periferia (Boca da Mata-Imperatriz), militante partidário (PSTU) que assumiu algumas tarefas eleitorais como candidato (2006, 2008, 2010 e 2012) e que luta por uma sociedade COMUNISTA. Sempre fui e continuarei sendo a mesma pessoa de caráter que meus pais, minha escola, meus amigos ajudam a forjar. Um comunista escravo do modo de produção capitalista que não aceita a conciliação de classe defendida por muitos que se dizem de "esquerda", mas que na verdade são pequeno-burgueses que esperam sua chance no capitalismo.

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