Redução ministerial: blefe ou cartada de mestre

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falacia-da-redução-ministerial redução ministerial Redução ministerial: blefe ou cartada de mestre Dilma cria mais um minist  rio por Sponholz

Volta a tona o debate de que o governo vai cortar na própria carne anunciando uma redução ministerial para tentar enganar a opinião pública brasileira, blefe ou cartada de mestre?

O governo FHC/PSDB em seu último ano de mandato (2002) tinha uma estrutura governamental montado com 32 ministérios, Lula/PT logo após tomar posse, em 2003, com seu discurso montado na “governabilidade” junto aos partidos da coalização do PT criou mais 5, passando para 37, dessa forma podia acomodar todos os partidos da base aliada. Atualmente o governo Dilma Rousseff/PT tem uma máquina composta com 39. Até então nunca se cogitou a redução do número de ministérios.

O anúncio feito hoje, 24/08, de reduzir para 29 os atuais 39 ministérios pode parecer para muitos que diante da crise econômica o governo federal passará a racionalizar os gastos públicos com a redução da máquina pública, um desejo de muitos setores da economia, para possibilitar a redução de impostos e o peso que ministérios e os cargos comissionados têm nos gastos do governo, sinalizando aos especuladores internacionais e à população que foi às ruas que o governo quer “cortar na própria carne”, já ouviram essa afirmação antes, né? Quando Lula se referia aos casos de corrupção que surgiam dentro de seu governo.

Então, as coisas não são tão simples quanto parecem.  O governo do PT desde Lula se mantém graças ao loteamento da máquina pública através dos ministérios e os cargos comissionados que eles geram, mantendo uma base de apoio fiel. Um governo que se mantém tendo uma maioria ampla através da participação dos partidos acomodados com recursos públicos poderia abrir mão dessa forma de composição em plena debilidade política e constantes derrotas com os parlamentares de sua base, ora ou outra, votando contra os interesses do governo? Uma saída bastante complicada de se cumprir.

O anúncio nesse momento parece mais um blefe do que uma possibilidade real de se cumprir. Segundo o próprio governo a redução dos ministérios tem até setembro para ser posto em prática. Essa jogada, como já pontuamos é uma sinalização para os investidores e para os empresários que almejam uma redução da máquina que justificaria também uma redução da carga tributária sobre a produção. Se pensarmos em como um anúncio desse reflete nos partidos aliados os objetivos são outros: mostrar para a base aliada que sem a votação a favor dos projetos do governo que retira direitos da classe trabalhadora – como quer vários projetos em tramitação – para que o governo continue mantendo esses partidos nos ministérios; e, uma ameaça direta, aos partidos que se dizem aliados, que o governo só manterá nos ministérios àqueles que realmente estão alinhados com o Planalto. Ou seja, o governo está usando uma lógica de mercado aplicado aos ministérios a “Lei da oferta e da procura” (reduz a oferta para aumentar o “valor”), prometendo ”escassez” aos partidos que vacilam com o governo e prometendo uma falsa “eficiência produtiva”.

É, se o blefe der certo, o governo terá dado uma cartada de mestre ao ganhar tempo com a promessa de “cortar na carne” e, consequentemente, conseguir avanços nas votações contra os trabalhadores que virão da Câmara e do Senado, assim, Dilma/PT conseguirá gerenciar a crise mantendo a governabilidade em troca da manutenção dos ministérios distribuídos aos partidos da base aliada. Mas, jogando um fardo ainda mais pesado nas costas da classe trabalhadora, pois para os governistas e a oposição de direita é quem deve pagar pela crise.

Sou apenas um trabalhador assalariado, casado com a companheira Irisnete Geleno, pai de quatro filhas(Ariany, Thamyres, Lailla e Rayara), morador da periferia (Boca da Mata-Imperatriz), militante partidário (PSTU) que assumiu algumas tarefas eleitorais como candidato (2006, 2008, 2010 e 2012) e que luta por uma sociedade COMUNISTA. Sempre fui e continuarei sendo a mesma pessoa de caráter que meus pais, minha escola, meus amigos ajudam a forjar. Um comunista escravo do modo de produção capitalista que não aceita a conciliação de classe defendida por muitos que se dizem de "esquerda", mas que na verdade são pequeno-burgueses que esperam sua chance no capitalismo.

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