Sobre o tempo… sobre rupturas… sobre o retornos!

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sobre-verck sobre o tempo Sobre o tempo... sobre rupturas... sobre o retornos! sobre verck“Se for pra eu morrer e ter que nascer de novo
eu prefiro ser novamente o que eu sou
por isso eu vou! Escrevendo minha própria história”
(Lutar é preciso – Gíria Vermelha)

“Fala, fala,fala sem ter nada pra falar,
mas, se a classe média gosta,
vira pop star”
(Homem de cátedras – Gíria Vermelha)

Tudo é História já dizia o grande Marx. E na história o tempo é fundamental: passado, presente e futuro. Aliás, se pensarmos sobre o tempo veremos que tudo é passado! Tudo está passando o tempo todo. O que é; já foi. O imutável é mutável. O que prevalece é só a mudança. A mudança, a transformação, tão fundamental para os marxistas. O passado é, portanto, o tempo por excelência. É o tempo da memória que reproduz dominações, mas também resistências. O que seria de nós sem a memória, sem o conhecimento dos processos e movimentos dos seres humanos em seus tempos próprios.

Não é por acaso, que Marx para entender o Capitalismo, projetar suas contradições e crise no sentido da luta pelo comunismo, foi buscar as origens da acumulação primitiva de Capital. Não é a toa que quando vamos falar quem nós somos, sempre começamos pela nossa história, nossos caminhos, nossos erros e acertos anteriores.

Não por acaso, diz um conto que quando os escravizados africanos iam ser transportados da África para a América eles eram forçados a girar em torno de uma grande árvore para que esquecessem suas histórias, suas culturas, suas identidades, para que fossem trazidos a um novo território sem as marcas de sua africanidade e vazios de cultura e de memória para servirem com fiéis escravos. Pois, é sempre pior para aqueles que só querem explorar, dominar, humilhar, quando conhecemos a nossa história, a história de nossa gente. É por isso que falamos, contamos, cantamos, gritamos, tocamos tambor e nos solidarizamos pra deixar bem claro que nós demos a volta na arvore do esquecimento não para esquecer, mas para lembrar-se do que não esquecer.

É por essa razão que o ser humano constrói o tempo histórico. Para além do passado, o tempo físico por excelência, ele constrói o presente e o futuro, tempos históricos, portanto, humanos. O Tempo histórico, nesse sentido, é o tempo da atividade e da intencionalidade humana. É o tempo da ação, do movimento, das ideologias, da cultura, do fazer-se. Nunca nas condições que se quer, como diria Marx, mas sempre rompendo condições para SE fazer melhor, mais feliz.

O futuro, nesse sentido, é o que será, mas não é, e talvez nunca seja! Pois depende fundamentalmente da intencionalidade e da atividade humana nas condições que lhes são impostas e nas rupturas que se propõe a fazer. Depende, portanto, do passado e do presente de nossas determinações e, principalmente, de nossas ações e projetos.

O futuro é sempre o tempo da promessa. A burguesia prometeu um futuro de progresso e desenvolvimento. Prometeu a igualdade num contexto de dominação da nobreza. Prometeu que assim que o bolo aumentasse, ele seria repartido. Os socialistas utópicos também prometeram o futuro, já que no presente pouco se poderia fazer. Os militares positivistas brasileiros aprenderam essa lição e prometeram uma nação de ordem e progresso. Os militares de 1964 também aprenderam a lição e prometeram um país que vai pra frente, do futuro. Sarney e Roseana Sarney sempre prometeram o futuro, primeiro como Maranhão Novo e depois com o Novo Tempo. Sintomático o grande projeto do Temer ser uma ponte para o futuro. A Religião foi expert nessa história de prometer o futuro! Nossa felicidade está sempre num tempo e lugar distante do nosso tempo e das nossas condições reais.

Acusaram e acusam Marx e os marxistas de teleológicos, de utópicos, justamente – segundo a acusação – por acreditarem num futuro que não virá, que já está perdido, que já se deu o fim – com o fim da história – que por não observarem o presente se perderam no futuro e deixam de olhar para as condições reais do presente.

Propor o futuro, nesse sentido, sempre foi mais fácil. Pois, não precisamos nos comprometer com o presente, com a nossa realidade. Podemos tergiversar e adiar para o futuro nossas angustias, nossas misérias e nossas necessárias lutas. Adiamos, inclusive, nossa felicidade e nossa igualdade.

É por essa razão que, dialeticamente, na promessa de futuro, está sempre escancarada a ideologia burguesa do viva o presente sem compromisso com o passado.

Times is money se destaca por caracterizar o tempo do capital desde as formas mais clássicas até a reestruturação produtiva, neoliberalismo e informatização, como também o cotidiano das pessoas em seus mais íntimos aspectos (coletivos e individuais). O tempo para o capitalismo sempre foi algo fundamental na exploração radicalizada do trabalhador. Quem não se lembra do famoso filme de Charles Chaplin, Tempos Modernos, onde um “supervisor” na fábrica diz a todo instante para se intensificar a cadência no sentido de se acelerar a produção e conseqüentemente minimizar o tempo da mesma.

Hoje, mais do que nunca, o capitalismo nos prende numa teia de determinações imediatistas que afetam desde as apresentações culturais que são forçadas a mutilar seus ritos a fim de satisfazerem o tempo comercial proposto, como também nossa vivência cotidiana sempre em busca de lava-rápido para o carro, fast food para o alimento, leitura dinâmica para o texto, etc.

Isto porque é cada vez mais difundindo entre todos que é necessário aproveitar cada instante do dia, como se fosse o último, afinal a “vida é curta mano e nós estamos de passagem”. A juventude de periferia, a classe média, os operários, os profissionais liberais, devem no escasso espaço de tempo que o capitalismo lhe proporciona nos intervalos da produção ou na busca agonizante de um emprego, “curtirem a vida de montão”, pois o que lhes resta deve ser aproveitado não em estudos ou organização política, mas em divertimento, em curtição, deixando que o futuro capitalista lhes traga felicidade.

Futuro que evidentemente Marx acreditava que era possível lutar, vencer e construir. Mas não sem uma batalha no presente; não sem recuperar a memória, o passado; não sem fazer a Revolução em seu tempo. Marx errou por acreditar que seria possível fazer a Revolução em seu tempo ou foi fiel às suas convicções filosóficas e políticas? Lenin e Trotsky erraram ao acreditar que era possível faz uma Revolução em seu tempo contra os fatos e a realidade imposta, ou foram fiéis às suas convicções filosóficas e políticas? Não era mais fácil dizer que caberia às novas gerações a tarefa da Revolução futura?

Bom, por acreditar que o futuro nós fazemos agora; que é no presente completamente vinculado às nossas experiências pretéritas, que podemos e devemos construir o nosso futuro, que ainda me seguro na cor vermelha – e não no multicolorismo da democracia racial ideologicamente construída para dominar – da luta, da revolução e da memória de todos e todas as lutadoras e lutadores que fizeram da Revolução no presente a sua insígnia de luta e organização.

Havia rompido com o PSTU por questões organizativas e por um certo descrédito nos lutadores. Nunca escrevi nenhuma carta de ruptura, pois minha saída foi fruto de minhas incertezas e não de desacordo com as táticas e estratégias do PSTU.

Iniciei minha militância política – aos 17 anos de idade – no movimento Hip Hop a quem devo em grande parte o que sou e o que conquistei. Hoje tenho 40 anos e acho que 10 (dez) desses anos foram dedicados ao PSTU. Não sei o tempo ao certo, pois desde minha militância no Hip Hop que tenho militado de mãos dadas com o PSTU o que significa que quando entrei oficialmente no Partido praticamente já me considerava do partido. Mas acho que oficialmente foi em 2002. E o partido caminhou… não poderia ser diferente! Como disse um camarada mais experiente, o partido se faz de adesões e rupturas.

O que significa que nem toda a ruptura é pela negativa, às vezes faz o partido crescer, se ampliar, melhor se organizar. É o que eu esperava com minha saída. De forma dialética, esperava que a minha ausência cumpriria um papel agregador, mobilizador, do partido no Maranhão. Não vou fazer avaliação se estava certo ou errado, talvez certo e errado. Mas minha posição agora é outra.

Nesse sentido, é por acreditar que o ser humano deve romper com as formas de sociabilidade antihumanas que o capitalismo proporciona e não acreditar que é possível radicalizar qualquer coisa boa nessa forma de sociabilidade (pois seria uma espécie de jacobinismo sem baioneta), que eu retorno as fileiras militantes do PSTU pra cumprir o meu papel de revolucionário que sempre acreditei ser e para somar com esta organização que cumpriu e continua cumprindo (no seu papel histórico) a tarefa essencial de organizar os trabalhadores e as trabalhadoras contra o racismo, o machismo, a homofobia e, principalmente, contra o capitalismo que reforça e amplia todas as formas de desigualdade e opressão.

Por nunca ter deixado de acreditar no PSTU, mesmo quando estive fora, que dedicarei mais uma vez toda a minha vontade, coragens, fraquezas, sentimentos, críticas, erros e acertos a esta organização.

Se eu acredito que a Revolução é possível de se fazer agora? Bom, sou daqueles que acredita que a Revolução é impossível até se tornar inevitável! Enquanto isso, em meu tempo, prefiro construir a Revolução Socialista carregando a bandeira vermelha do PSTU, do que extrair qualquer coisa do futuro!

São Luís, 18 de julho de 2016.

Rosenverck Estrela Santos
Professor da UFMA
Militante do Movimento Negro
Eterno militante do movimento Hip Hop

Sou apenas um trabalhador assalariado, casado com a companheira Irisnete Geleno, pai de quatro filhas(Ariany, Thamyres, Lailla e Rayara), morador da periferia (Boca da Mata-Imperatriz), militante partidário (PSTU) que assumiu algumas tarefas eleitorais como candidato (2006, 2008, 2010 e 2012) e que luta por uma sociedade COMUNISTA. Sempre fui e continuarei sendo a mesma pessoa de caráter que meus pais, minha escola, meus amigos ajudam a forjar. Um comunista escravo do modo de produção capitalista que não aceita a conciliação de classe defendida por muitos que se dizem de "esquerda", mas que na verdade são pequeno-burgueses que esperam sua chance no capitalismo.

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