Vivamos as diferenças, sem preconceitos!

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Esse texto foi escrito pela poetisa e atriz imperatrisense Lília Diniz em 2009 e publicado no Blog Wilson Leite (versão antiga) e estamos republicando-o novamente por considerar uma discussão a altura dos desafios que temos na promoção e incentivo do fazer cultural na cidade de Imperatriz. Os espaços públicos e as condições do fazer cultura profissionalmente e as condições de sobrevivência dos artistas através da sua arte são questões prementes.

Vivamos as diferenças, sem preconceitos!

Lília Diniz, 2009

Quem acompanha a história do teatro, ou quem faz teatro pelo Brasil, já percebeu que o preconceito de achar que teatro é coisa de veado, prostituta e drogado vem a cada dia mais se distanciando da realidade dos artistas. Somente as cabeças mais retrógradas não conseguiram ultrapassar a faixa da homofobia e se prendem a esse discurso, dizendo inclusive que o preconceito é da sociedade, como forma de esconder suas dificuldades individuais em lidar com as diferenças.

diferenças Vivamos as diferenças, sem preconceitos! teatro ferreira gullar
Foto Maurício Façanha

No teatro grego mulheres não subiam ao palco, isso dentro de um contexto machista no qual a mulher era subjugada a uma condição de inferioridade, e isto durou muito tempo, logo, as primeiras que ousaram subir ao palco eram discriminadas e consideradas prostitutas. Os negros até hoje são poucos nos elencos de novelas, e quando o são, estão na classe dos empregados, marginais ou escravos.

Cada vez mais cresce o número de cursos superiores em Teatro, e cada vez mais, os cursos são procurados para formação profissional, até mesmo como forma ascensão social, fama e glamour. Em Imperatriz, por exemplos temos uma turma de teatro na UFMA – Universidade Federal do Maranhão, no curso de licenciatura.

O Teatro Ferreira Gullar já foi palco de grandes montagens protagonizadas por homossexuais de grande competência. Hoje depois de muita dificuldade, que tem bancado a produção de espetáculos e casa lotada é justamente um grupo de atores que nunca esconderam sua orientação sexual. Profissionais ou não. Bons atores ou não. Teatro escracho! É o que eles se propõem a fazer e tem feito muito bem, afinal é casa lotada sempre. E bem ou mal são eles que têm levado as pessoas ao teatro. E quem disse que o teatro tem que ser sempre reflexivo? Sério? Pedagógico? Cult? A arte é fruto da sociedade que a produz. Então aonde andam mesmo os atores que se propõem fazer diferente? Façamos e cultivemos nosso público. Façamos e ocupemos também o teatro, as ruas, as praças e as escolas. Tem espaço para todos. Espaço para “Um dia de Maria” e “Zorra Total”. Isso é graças a diversidade cultural, ideológica, religiosa e tantas outras.

É bem verdade que o teatro, no mundo inteiro, sempre contou com um número expressivo de homossexuais, aliás, a arte como um todo pelo seu caráter libertário, tem grandes representantes homossexuais ou bissexuais, ícones internacionais que tem mérito cultural inquestionável como Ney Matogrosso, Miguel Falabella, Jorge Fernando, Martheus Narschtegale, Cazuza, Ana Carolina, Fred Mercury dentre outros.

Eles são grandes expressões da diversidade, mas especialmente fruto da coragem de quem não se rende a repressão e às retaliações perversas dos poucos que ousam querer limá-los da sociedade. Felizmente já temos leis que punem algumas discriminações entendidas, como violência, e tem surtido efeito no Brasil. Homofobia é crime! Racismo é crime! Preconceito é ignorância!

Não é a orientação sexual que determina o discurso, a dignidade ou o valor do profissional. Todos independente da orientação sexual, estão sujeitos a equívocos e o que permite a qualidade profissional é a persistência, o estudo e autocrítica.

Aproxima-se a Conferência Municipal de Cultura de Imperatriz e Açailândia, e um dos temas a serem abordados é a diversidade, e diversidade passa essencialmente por tolerância às diferenças, todas as diferenças. E é de fundamental importância que homens e mulheres artistas ou não, negros, índios, ciganos e homossexuais participem para discutirmos políticas públicas de enfrentamento a toda forma de discriminação e entendermos a cultura como direito, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, reafirmando seu compromisso com a plena realização dos direitos humanos e das liberdades fundamentais e em outros instrumentos universalmente reconhecidos, como os dois Pactos Internacionais de 1966 relativos respectivamente, aos direitos civis e políticos e aos direitos econômicos, sociais e culturais.

Ou ainda de acordo com a Declaração Universal Sobre a Diversidade Cultural, ratificada pelo Brasil em 2007, que nos orienta dizendo que “a defesa da diversidade cultural é um imperativo ético, inseparável do respeito à dignidade humana. Ela implica o compromisso de respeitar os direitos humanos e as liberdades fundamentais, em particular os direitos das pessoas que pertencem a minorias e os dos povos autóctones. Ninguém pode invocar a diversidade cultural para violar os direitos humanos garantidos pelo direito internacional, nem para limitar seu alcance”.

Pensando deste modo, podemos de modo solidário reconhecer na diversidade e no desenvolvimento dos intercâmbios culturais, entendendo que a “diversidade cultural é, para o gênero humano, tão necessária como a diversidade biológica para a natureza”.

Sou apenas um trabalhador assalariado, casado com a companheira Irisnete Geleno, pai de quatro filhas(Ariany, Thamyres, Lailla e Rayara), morador da periferia (Boca da Mata-Imperatriz), militante partidário (PSTU) que assumiu algumas tarefas eleitorais como candidato (2006, 2008, 2010 e 2012) e que luta por uma sociedade COMUNISTA. Sempre fui e continuarei sendo a mesma pessoa de caráter que meus pais, minha escola, meus amigos ajudam a forjar. Um comunista escravo do modo de produção capitalista que não aceita a conciliação de classe defendida por muitos que se dizem de "esquerda", mas que na verdade são pequeno-burgueses que esperam sua chance no capitalismo.

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