Comunismo é subversão?

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Na história da sociedade moderna a expansão da produção industrial capitalista viu surgir pessoas que observavam a forma de exploração do trabalho coletivo dos homens e também operários que não aceitavam essa exploração.

De um lado a classe burguesa detentora do capital para aquisição de máquinas e matérias-primas (meios de produção) e do outro, a classe dos trabalhadores que fazem com que os meios de produção em movimento se transforme em mercadoria através do trabalho. Somados a mais-valia roubado do trabalhador e o lucro da realização da venda das mercadorias para o proprietário das fábricas, o patrão.

Até hoje essas relações entre patrão e empregado – no modo capitalista de produção – ainda imperam. Em determinado período da história os trabalhadores conseguiram vitórias importantes: redução de horário de trabalho, repouso remunerado, férias, etc. Nesse mesmo período a burguesia com seu poder econômico e político, combateu a organização dos trabalhadores e perseguiu as organizações comunistas. Concederam direitos sempre procurando mostrar que esses direitos eram frutos do desenvolvimento da produção capitalista e não da pressão da classe operária além de uma permanente campanha propagandista contra os comunistas que eram classificados como subversivos e defensores da miséria dos trabalhadores.

Essa propaganda insistente, o aumento da produção barateando cada vez mais os produtos, a possibilidade de consumo aos operários além de uma apatia dos pensadores em refutar o terrorismo ao qual somos impostos foram cruciais para a situação atual dos que defendem o socialismo e por fim o comunismo.

Por esses e muitos outros fatores os comunistas tentam pegar o “fio da meada” e reformular suas propostas à classe trabalhadora cada vez mais “amiga do inimigo”. Hoje não somos mais capazes de identificar a figura do burguês do século XIX. Este tinha uma vestimenta que nenhuma outra classe poderia usar. Só a burguesia tinha condições financeiras de possuir charretes ou veículos automotores. Eram bens inacessíveis a um operário. Hoje, no mundo da tecnologia, da disputa por mercados e domínio do capital financeiro, um operário tem nível de consumo que já lhe permite ter automóvel, celular, boa vestimenta, etc. imitando o consumo de um burguês. Mas tem uma diferença “sutil”, é apenas uma imitação. O capitalista mantém a escravidão assalariada da classe trabalhadora nessa forma de produção. Lança o operário no desemprego ou rebaixa os salários quando lhes é conveniente.

Fico abismado em ver um trabalhador assalariado que recebe R$1.100,00 por mês defendendo a manutenção desse modo de produção explorador da classe operária, degradador do meio ambiente. Ele faz isso ao dar graças pelo emprego que garante minimamente as condições de vida e reprodução de sua classe e pelo fato de querer – mesmo que sem condições financeiras – produtos tecnológicos da moda, mesmo que para isso, deixe saúde, educação e alimentação em segundo plano. O que importa é garantir o celular da moda que ele não vai usar nem 10% de suas funções (ligação, jogos, calculadora, agenda, foto, filmadora, Tv/Rádio, Blue Tooth, mensagens de texto, reprodutor Mp3/Mp4, internet, Dual Chip, GPS, etc.), ou seja, um aparelho que tenha várias dessas funções dificilmente ele use mais de três ou no máximo cinco delas.

A lógica do capitalismo se diz democrático, mas não fornece condições financeiras e nem tempo disponível para o operário participar do processo político, financia o consumo, mas cobra juros extorsivos sacrificando ainda mais o assalariado, mantém a escravidão assalariada, submetendo o trabalhador a baixos salários e ao desemprego, exclui grande parcela da população de direitos básicos, como educação e saúde, e até mesmo de necessidades elementares, como alimentação e moradia.

Para a burguesia, confrontar a lógica deste sistema que promove desigualdade social é ser subversivo.

Sou apenas um trabalhador assalariado, casado com a companheira Irisnete Geleno, pai de quatro filhas(Ariany, Thamyres, Lailla e Rayara), morador da periferia (Boca da Mata-Imperatriz), militante partidário (PSTU) que assumiu algumas tarefas eleitorais como candidato (2006, 2008, 2010 e 2012) e que luta por uma sociedade COMUNISTA. Sempre fui e continuarei sendo a mesma pessoa de caráter que meus pais, minha escola, meus amigos ajudam a forjar. Um comunista escravo do modo de produção capitalista que não aceita a conciliação de classe defendida por muitos que se dizem de "esquerda", mas que na verdade são pequeno-burgueses que esperam sua chance no capitalismo.

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