Estratégia divisionista do capitalismo

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O capitalismo conseguiu concretizar muitos de seus objetivos como sistema econômico e ideológico no decorrer da história da humanidade, seja ao substituir o feudalismo já decadente, seja na divisão da sociedade em classes e as adaptações nos processos de organização trabalho entre os indivíduos (fordismo, toyotismo, etc.). Em seus primórdios, conseguiu substituir a oligarquia de feudos por pequena-burguesia de comerciantes e de mestres, até os grandes aglomerados financeiros dos dias atuais. Mandel (1981) define assim:

O capitalismo é um modo de produção fundado na divisão da sociedade em duas classes essenciais: a dos proprietários dos meios de produção (terra, matérias-primas, máquinas e instrumentos de trabalho) que compram a força de trabalho para fazer funcionar as suas empresas; E a dos proletários, obrigados a vender a sua força de trabalho, porque se encontram alienados dos meios de produção, mesmo para sua subsistência, nem o capital que lhes permita trabalhar por sua conta.

Ao passo que a burguesia imperialista caminha para “unidade” do capital, processo que pode possibilitar o controle das nações, que já se encontram dependentes econômica e financeiramente uma das outras, basta observarmos onde acontece as crises econômicas e quais seus efeitos em outros países, localizados em continentes dos mais distantes.

Nessa perspectiva, o capitalismo tem obtido alguns avanços, principalmente com sua propaganda neoliberal, que a nosso ver é uma das mais poderosas ferramentas na luta de classe travada entre burgueses contra operários. Se para Marx (1848) “O capitalismo cria seu coveiro” os burgueses buscam na propaganda e na divisão: do trabalho, das categorias, dos sindicatos o meio de tirar da classe trabalhadora sua consciência, seu reconhecimento como única classe produtora de riqueza e de sua situação de exploração.

Lendo o texto do historiador cultural norte americano Robert Darnton (1939) Trabalhadores se revoltam: o grande massacre dos gatos  um trecho me chamou atenção, não o fato que os trabalhadores descontentes com as condições de trabalho e alimentação numa gráfica da época da França do século XVIII — pré-industrial — ou massacre dos gatos dos arredores da rua Saint Séverin, mas o fato é que naquela época para se conseguir um trabalho era ainda mais difícil, no entanto, nenhum dos operários se submetiam a certos interesses dos patrões como nos mostra a narrativa feita no texto de um estagiário da tipografia, Contat:

Dizem-lhe para jamais trair seus colegas e manter o índice salarial. Se o operário não aceita — um preço (por um serviço) e sai da oficina, ninguém da casa deve fazer aquele serviço por um preço menor. Essas são as leis, entre os operários. A fidelidade e a probidade lhe são recomendadas. Qualquer trabalhador que trai os outros, quando algo é proibida chamada marron (castanho), está sendo impressa, deve ser ignominiosamente expulso da oficina. Os operários o põem na lista negra, através de cartas circulares enviadas para todas as oficinas de Paris e das províncias… À parte disso, qualquer situação é permitida: a bebida em excesso é considerada boa qualidade, a galantaria e o deboche feitos juvenis, as dívidas, um sinal de inteligência, a irreligião, sinceridade. Trata-se de território livre e republicano, onde tudo é permitido. Viva como quiser, mas seja um “honête homme” (homem honesto), nada de hipocrisia. (DARNTON, 1986, p.119).

Hoje os trabalhadores disputam entre si as vagas de trabalho, nessa disputa não basta oferecer sua força de trabalho (sendo igual aos demais trabalhadores de uma categoria), para se “diferenciar” do outro trabalhador ele “aceita” a precarização das condições de trabalho, redução salarial e outros direitos, ou seja, o sentimento de unidade foi quebrado entre eles, e desse rompimento muito se deve creditar ao capitalismo — com sua produção de exército de trabalhadores de reserva(desempregados) — e sua ideologia neoliberal. O crescimento de um funcionário dentro de uma organização não fica apenas no cumprimento de suas tarefas apenas, os operários são os olhos dos patrões em meios aos seus para certificar que os demais também estejam comprometidos com o lucro do patrão, e, assim, ele vislumbra o reconhecimento na empresa.

Não é incomum encontrarmos em anúncios de vaga de emprego requisito comportamental como: “compromisso com o crescimento rentável e continuo da empresa”, no capitalismo a rentabilidade está sempre ligado à redução dos custos de produção para os proprietários dos meios de produção e desse os salários é sempre o primeiro alvo.

Sou apenas um trabalhador assalariado, casado com a companheira Irisnete Geleno, pai de quatro filhas(Ariany, Thamyres, Lailla e Rayara), morador da periferia (Boca da Mata-Imperatriz), militante partidário (PSTU) que assumiu algumas tarefas eleitorais como candidato (2006, 2008, 2010 e 2012) e que luta por uma sociedade COMUNISTA. Sempre fui e continuarei sendo a mesma pessoa de caráter que meus pais, minha escola, meus amigos ajudam a forjar. Um comunista escravo do modo de produção capitalista que não aceita a conciliação de classe defendida por muitos que se dizem de "esquerda", mas que na verdade são pequeno-burgueses que esperam sua chance no capitalismo.

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