Quem nunca viu secretários de estado e municipais, ou ministros da pasta do Meio Ambiente, defendendo a expansão do desmatamento? E grandes empreendimentos industriais liberando licenças ambientais para a construção de condomínios e outras edificações, com o discurso mentiroso de que os impactos ambientais foram calculados e que esses empreendimentos se comprometem a compensá-los? Ou, ainda, de que isso é necessário para garantir o desenvolvimento e a geração de empregos?
Nos moldes da exploração capitalista, é difícil encontrar uma forma de desenvolvimento e um gestor da pasta do Meio Ambiente que não esconda quem realmente sai perdendo com esse “progresso”: o meio ambiente com seus diversos biomas, o planeta com o aquecimento global, e a humanidade, que sofre cada vez mais com os impactos da exploração capitalista.
O discurso de desenvolvimento sustentável cai por terra quando se analisa a diferença entre os impactos ambientais divulgados pelos empreendedores e governos e a degradação real de biomas. Essa degradação é visível, principalmente, no desmatamento e na poluição de riachos e rios.
Alguns exemplos recentes em nosso estado podem ser citados:
- A Usina Hidrelétrica de Estreito, que submergiu mais de 400 km² de vegetação, afetando a fauna silvestre e as populações ribeirinhas e povos originários.
- O agronegócio, com suas monoculturas de soja, cana-de-açúcar, mamona e eucalipto, que não só expandem suas áreas sobre florestas, mas também causam graves problemas sociais, como a expulsão de pequenos produtores e a redução da produção de alimentos.
Não podemos nos iludir achando que o agronegócio preza pela garantia de produção. Assim como uma empresa capitalista industrial explora o trabalhador, o agronegócio tem na terra seu principal meio de exploração. Para eles, só interessa pleitear áreas para plantio que tenham cobertura vegetal, pois assim lucram com a derrubada das árvores e, posteriormente, com o uso da terra.
Grande parte das cidades, das menores às metrópoles, tem algum exemplo da ação nociva desse modelo de desenvolvimento. Um riacho ou rio poluído, ou até mesmo morto, está debaixo do nosso nariz. O mais conhecido, até mesmo para nós, maranhenses, é o Rio Tietê, em São Paulo. Mas em qualquer parte do Brasil e do mundo, esse fato se repete.
Em nossa capital, São Luís, a grande maioria das praias tem um nível de coliformes fecais muito acima do permitido, causado pelo despejo sem tratamento de esgoto doméstico e industrial diretamente em rios que deságuam no mar. Açailândia, a “Cidade do Aço”, está se tornando a Cubatão do Nordeste, com a produção de carvão vegetal em fornos espalhados pela região e pelas próprias siderúrgicas que despejam resíduos sem nenhum controle por parte dos órgãos fiscalizadores. Em Imperatriz não é diferente. Além do completo desmatamento das encostas do Rio Tocantins, todo o esgoto é levado diretamente para o rio. O mesmo acontece em outras cidades às margens de nosso “Imperador” Tocantins que agoniza.
Defender o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável só seria possível mudando a nossa visão sobre o planeta, e isso nunca será alcançável no capitalismo. Como já foi dito, quanto mais os capitalistas exploram matas, minérios, rios e mares em busca de lucros rápidos, mais rápido a saturação dos recursos naturais chegará. E aí, pode ser tarde demais para a humanidade. Esse alerta já foi dado há muito tempo pelos cientistas.
Com a atual produção mundial de alimentos e produtos industrializados, a civilização já teria a capacidade de cessar essa exploração do planeta, investindo na potencialização dos espaços e das produções agrícolas e industriais. Isso garantiria alimentos e produtos para a população com o uso de desenvolvimentos tecnológicos voltados para a durabilidade dos produtos e alta produção, sem a necessidade de mais desmatamento e poluição. Isso, sim, é desenvolvimento sustentável.