NOTA DE PESAR
É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de José Peixoto da Silva, o Zé Peixoto, só Peixoto ou, simplesmente, meu pai. Cearense que migrou para o Maranhão e aqui ergueu família com D. Raimunda (cinco filhas e três filhos), ele nunca leu uma linha de comunismo ou marxismo, mas nutria visceral aversão ao trabalho assalariado — para ele, a essência da exploração do trabalhador. Sempre priorizou a sobrevivência autônoma, vendendo sua força de trabalho sem intermediários, ensinando-nos o ofício das mãos e incentivando os estudos como alternativa de melhores condições de atendimento das condições materiais. Chegou a me alertar: “Não dispute eleições, filho; todos os políticos são ladrões”. Ele tinha razão, mas porque não via a urgência de tomada do poder do Estado para a sua classe. Apesar da falta de leitura marxista, foi meu primeiro mestre na teoria de classes — sem livros, mas na práxis cotidiana e na percepção aguda das desigualdades sociais. Suas indignações e críticas à sociedade ecoavam em nossas conversas, ainda que a necessidade imediata o impedisse elevar sua consciência para se organizar para a luta pelo poder. Como sua prole, honrarei seu legado de honestidade, labor incansável e dedicação à família — estendendo-a a todas as famílias da classe trabalhadora. Buscarei suprirei as lacunas que a vida lhe impôs: organizando-me e lutando nas mobilizações de milha classe, nas eleições que é o campo dos ricos, enquanto houver fôlego, por uma transformação social profunda, como ele almejava a todos os seus companheiros, mesmo sem saber conceituar, ele almejava uma sociedade socialista.
Seu Peixoto, presente!