Movimentos sociais emitem nota de repúdio contra o discurso machista de blogueiros e comentaristas sobre o caso de estupro envolvendo um político e médico e uma vendedora na cidade de Santa Inês-MA, mas que repercutiu em vários blogs sensacionalistas que se valem de casos de violência, em especial sexuais contra mulheres, para manter acessos.
Leia nota da íntegra:
NOTA DE REPÚDIO
Repudiamos veementemente o crime de estupro que tem como acusado o médico e prefeito de Santa Inês, Ribamar Alves, contra a jovem vendedora de livros, assim como a prática de alguns órgãos de imprensa do estado do Maranhão, que se utilizam de linguagem e publicidade sexista, misógina, culpabilizadora, humilhante, desvalorizadora da vítima de violência sexual.
É inaceitável que o machismo que viola os direitos e violenta as mulheres, continue tendo aliados em todas as esferas de nossa sociedade, fazendo com que recaia sobre as mulheres toda a culpa e responsabilidade dos crimes praticados contra elas.
É inaceitável que o machismo continue contando com inumeráveis meios de propagação, dentre eles a mídia, que se mostra, em sua maioria, conservadora e preconceituosa, superficial e espetacularizada, principalmente quando um crime de estupro não é efetuado com requintes de crueldade e ou por pessoas tidas como “cidadãos de bem”, por ter boa situação financeira ou cargos e funções, seja no serviço publico ou privado, como é o caso.
É inadmissível que pessoas ligadas à imprensa fiquem impunes ao praticar de forma tão violenta a defesa de estupradores, se utilizando da velha e criminosa prática da “especulação” em defesa dos acusados, munidos inclusive de documentos oficiais do Sistema de Segurança Pública, o laudo médico da vitima, para expor de forma aviltante a vítima, como fez o responsável pelo Blog Só Falo a Verdade.
Destacamos que o fato do laudo não apontar lesões, confirma e dá mais crédito à versão da própria vítima que em nenhum momento acusou o prefeito de agredi-la com golpes, mas sim de violência psicológica e sexual (essa atestada no laudo inclusive).
Exigimos respeito à vítima, a sua família, e todas as mulheres que silenciadas pela cultura do machismo sofrem desesperadamente pela culpabilização e revitimização praticadas por vários órgãos, inclusive os que deveriam protegê-las quando denunciam a violência sofrida.
Exigimos o rigor legal e necessário nas investigações e a punição severa do acusado, assim como a punição de todos que de forma cruel e perversa desqualifica a vítima em favor de um sujeito “poderoso”, “doutor”, “prefeito” e “rico”. Portanto habilitado pelo machismo e o patriarcado, a ter todas as suas vontades atendidas, seja um beijo ou uma relação sexual, mesmo que indesejada pelas suas preteridas. Quem ousou desobedece-lo, foi forçada literalmente a satisfazer suas luxurias, foi assim com a juíza da comarca, beijada a força e a jovem vendedora de livros, estuprada. Quantas vitimas já foram invisibilizadas e silenciadas pelo poder do “doutor”?
ARTICULAÇÃO DE MULHERES BRASILEIRAS – AMB
REDE NACIONAL DE SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA FÓRUM DE MULHERES DE IMPERATRIZ
CENTRO DE PROMOÇÃO DA CIDADANIA E DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS PADRE JOSIMO
COLETIVO RUAS – JUVENTUDE ANTICAPITALISTA
FÓRUM DE MULHERES DE IMPERATRIZ