Mitos fundadores

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Nossa discussão começará expondo nossa pouca experiência em sala de aula (apenas nos períodos de estágio supervisionado), e no contato com o material didático (livro didático) disponível aos alunos. Parte dessas experiências, a análise das visões historiográficas que podemos constatar nas discussões apresentadas pelos textos na disciplina “História do Brasil e Maranhão Colonial”, sintetizados pelos fragmentos apresentados.

Nesse contexto, podemos ver nos livros didáticos atuais a repetição dos temas: “Nação Brasileira”, “Mistura de Raças”, “Povo sem preconceitos”, “Negros e índios dóceis”, “colonização pacífica”, “Maranhão atrasado”, “São Luís fundada por franceses”, etc. Todos esses temas abordados nos livros didáticos procuram manter e reforçar uma História que atenda aos interesses de uma elite branca, de origem europeia, que vai dar origem a uma Nação (Brasil) ou um Estado (Maranhão) que se reconhece no colonizador.

Cabe a nós, enquanto professores, apresentar aos alunos outras perspectivas da história oficial contida nos livros. Uma história quase oficiosa que coloca em dúvida os mitos, a exemplo do mito fundador da “Nação Brasil” sob a égide do semióforo que se refaz ao longo do tempo para se ressignificar, mas mantendo sua origem. Que o signo da violência lançado sobre os africanos, trazidos forçosamente ainda é o mesmo que mantém a exclusão e segregação racial nos espaços públicos (escolas, universidades, empregos, centros das cidades, etc.). Apesar disso, assim como os negros reagem à violência contemporânea, no passado os africanos escravizados também resistiam para manter o vínculo com seus povos — mesmo em terras distantes —, sua cultura, seus rituais e suas religiões. São inúmeros exemplos de levantes de resistência negra no Maranhão (ainda enquanto estado do Grão-Pará e Maranhão), no processo de colonização e integração da região aos interesses comerciais à Europa, às elites interessadas em ascensão social e econômica — principalmente da capitania de Pernambuco — e à América Portuguesa (Brasil).

Se por um lado os livros apresentam a região mais ao norte (do Rio Parnaíba ao Amazonas) Estado do Grão-Pará e Maranhão como uma região atrasada. Foi num contexto de grande interesse estratégico na disputa entre União Ibérica, Franceses, Holandeses, etc. que o Maranhão passa a ter atenção dos colonizadores.

Também mais tarde, com a fundação de São Luís é que a história revela que as elites sempre recorreram ao “mito fundador” para buscar unidade, antes do Brasil, agora de uma cidade.

Nosso papel enquanto professor será nesse contexto de imposição de uma “história dos vencedores”, dizer, apresentar e argumentar através de documentos, mesmo que “oficiais”, que é possível lançar outros olhares além do que é repetidamente mostrado sobre esses documentos ou fatos históricos. Ou seja, precisamos “ensinar” aos nossos alunos uma postura crítica sobre qualquer história oficialmente reconhecida, pois nela sempre estará se destacando os “vencedores” e ocultando os processos de resistência dos “vencidos”. O livro didático estará sempre limitado a isso, o que não impede a inclusão de outras fontes nas aulas que possibilite esse exercício crítico do historiador.

Sou apenas um trabalhador assalariado, casado com a companheira Irisnete Geleno, pai de quatro filhas(Ariany, Thamyres, Lailla e Rayara), morador da periferia (Boca da Mata-Imperatriz), militante partidário (PSTU) que assumiu algumas tarefas eleitorais como candidato (2006, 2008, 2010 e 2012) e que luta por uma sociedade COMUNISTA. Sempre fui e continuarei sendo a mesma pessoa de caráter que meus pais, minha escola, meus amigos ajudam a forjar. Um comunista escravo do modo de produção capitalista que não aceita a conciliação de classe defendida por muitos que se dizem de "esquerda", mas que na verdade são pequeno-burgueses que esperam sua chance no capitalismo.

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