Uma página do papel cumprido pela Suzano

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“Prazer, somos a Suzano! E nós temos muito mais que um papel na sua vida.”

Essa é a frase da página oficial da multinacional de produção de papel e celulose que têm no Brasil várias unidades de produção. Entre os estados de atuação o Maranhão é um deles. Sua implantação foi estratégica devido a fatores como: terras baratas e férteis, abundância de água, governos dispostos a qualquer negócio para ter a indústria em seu território para poder dizer “- fui eu que trouxe a fábrica” e um exército industrial de reserva de fácil qualificação com o apoio estatal para sua formação.

Pelo exposto acima, é possível afirmar que a frase adotada tem uma razão de ser. Logo no anúncio de sua instalação a empresa já começa a revelar o “seu papel” na vida principalmente das populações tradicionais, camponesas e indígenas próximas ou que precisariam ser desapropriadas para a boa logística e funcionamento do empreendimento.

O poder do capital das grandes multinacionais é potencializado com sua aliança com a burguesia política que é beneficiada momentaneamente com o “progresso” e o desenvolvimento econômico prometido, e em certa medida realizado para uma minoria, geralmente àqueles defensores dos ideais dos acionistas.

Recentemente um grupo de trabalhadores dessa indústria, do setor florestal, se deparam com a real face do slogan. Após realizarem um protesto denunciando as precárias condições de alimentação e trabalho, obtiveram como resposta da empresa a demissão dos organizadores da manifestação, cerca de dez trabalhadores que em plena pandemia, foram mais penalizados do que as condições de trabalhos oferecidas pela indústria, o desemprego.

O poder (papel) que o grande capital exerce sobre os trabalhadores estão na possibilidade demitir trabalhadores insatisfeitos com as condições de trabalhos oferecidos e pela possibilidade de repor a mão de obra por outros que aceitam, pelo menos até terem consciência da exploração, assim, mantêm a extração da mais-valia dos lucros.

Em “nota de solidariedade” o Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores e Trabalhadoras nas Indústrias de Papel, Celulose, Pasta de Madeira Para Papel, Papelão, Cortiça, Artefatos de Papel e Madeira da Região Sul do Maranhão (SINDCELMA) denunciou as demissões e prestou solidariedade tanto aos que permanecem empregados quanto aos que sofreram retaliação com as demissões.

O blogue segue a nota e se solidariza com os trabalhadores, vai além e exige da indústria a readmissão e o atendimento das reivindicações que levaram à mobilização, cumprimento – pelo lado positivo – do expresso no slogan divulgado para aqueles que não conhecem a realidade dos trabalhadores e têm na mensagem de marketing a ilusão que tudo são flores, ou melhor, folhas de papel.

Sou apenas um trabalhador assalariado, casado com a companheira Irisnete Geleno, pai de quatro filhas(Ariany, Thamyres, Lailla e Rayara), morador da periferia (Boca da Mata-Imperatriz), militante partidário (PSTU) que assumiu algumas tarefas eleitorais como candidato (2006, 2008, 2010 e 2012) e que luta por uma sociedade COMUNISTA. Sempre fui e continuarei sendo a mesma pessoa de caráter que meus pais, minha escola, meus amigos ajudam a forjar. Um comunista escravo do modo de produção capitalista que não aceita a conciliação de classe defendida por muitos que se dizem de "esquerda", mas que na verdade são pequeno-burgueses que esperam sua chance no capitalismo.

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